terça-feira, novembro 30

Sei não, acho que o resultado da eleição americana provou que a imagem que o resto do mundo tem do americano médio não é tão estereotipada assim. Mas apesar do resultado, ainda bem que o embate pela Casa Branca chegou ao fim. Incapaz de ignorar uma disputa temperada com altas doses de maniqueísmo (Collor x Lula, alguém?), acompanhei a reta final da campanha de maneira obcecada. Eram doses diárias de Daily Kos, Atrios, Talking Points Memo, Salon, etc. Tenho até vergonha de admitir, mas cultivei um hábito ainda pior: viciei na programação da Fox News (felizmente já estou recuperado).
Pode-se comparar a atração mórbida que a emissora exerce sobre o telespectador com a forma como acidentes na estrada capturam a atenção dos demais motoristas. Ninguém deveria olhar, mas é impossível resistir.Fica difícil acreditar na expressão séria nos rostos dos âncoras enquanto repetem o slogan absurdo: Fair & Balanced. Então, tá! Meu programa preferido, dentro dessa perspectiva masoquista, era o Hannity & Colmes. O "Insanity", uma espécie de Datena anabolizado, é um reacionário que tenta ganhar todos os debates na base do grito. O Colmes, por sua vez, é um liberal peso-leve que só está ali para exercer a valiosa função de boi de piranha. Além da política, boa parte do noticiário da Fox é direcionado ao público redneck. Não faltam alertas sobre o furacão mais recente e os danos que ele causou em algum estacionamento para trailers. E sempre tem uma reportagem sobre alguma menina que fugiu com o padrasto, com direito a entrevista da mulher abandonada (ostentando um farto mullet) contando como ela nunca desconfiou de nada (tem redneck que é cega!).
Fui resgatado dessa miséria humana graças à estréia da nova temporada de seriados. Agora só estou viciado em Desperate Housewives, o que, convenhamos, é bem mais saudável.

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